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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Submarino "caçador" de aliens é testado pela Nasa na Antártida.

Um dos principais focos da busca por vida alienígena atualmente está nos oceanos abaixo do gelo de luas de planetas do nosso Sistema Solar, como Europa e Enceladus. E aí há um desafio: como buscar por formas biológicas nesses locais? A resposta começou a ser encontrada pela Nasa (agência espacial norte-americana), com um robô subaquático que pode ser chamado de espécie de "submarino caçador de aliens". 

O JPL (Jet Propulson Laboratory, ou Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa anunciou nesta semana que o pequeno robô está sendo enviado para testes na Antártida. O equipamento vai passar este mês tendo sua resistência testada na estação de pesquisa Casey, da Austrália, em preparação.

"As camadas de gelo que cobrem esses oceanos distantes servem como uma janela para os oceanos abaixo e a química do gelo pode ajudar a alimentar vida dentro desses oceanos. Aqui na Terra o gelo que cobre nossos oceanos nos polos tem um papel semelhante e nosso time está particularmente interessado no que está acontecendo no local em que a água se encontra com o gelo", aponta Kevin Hand, cientista líder da missão no JPL, ao site do laboratório. 

Para a Nasa, as águas da Antártida são a analogia mais próxima que podemos achar na Terra de uma lua congelada, o que as tornam um local ideal para os testes do robô que tem um metro de comprimento e é equipado com duas rodas que podem rolar pelo gelo.


O que tem no robô 

De nome Bruie (Buoyant Rover for Under-Ice Exploration, ou robô flutuante para exploração sob o gelo, na tradução livre), a espécie de submarino vai contar com inúmeros sensores e instrumentos científicos para medir parâmetros relacionados à vida, como oxigênio dissolvido, salinidade da água, pressão e temperatura. 

O rover é construído com a mentalidade de ser um explorador resistente capaz de navegar sozinho por oceanos extraterrestres que estão abaixo do gelo. O gelo que protege esses oceanos pode ter espessura de 10 km a 19 km, de acordo com a Nasa. 

O robô é desenvolvido para captar dados e tirar fotos da região em que a água se encontra com o gelo, e é isso que fará na Antártida. Ele é feito especialmente para que consiga ficar preso a essa região chamada de "interface”. 

"A vida normalmente se desenvolve nesses locais de encontro e muitos submersíveis têm trabalho para investigar essa área, já que as correntes do oceano podem ocasionar acidentes ou eles podem perder muita energia mantendo a posição. O Bruie usa flutuabilidade para permanecer ancorado contra o gelo e é impermeável para a maioria das correntes", diz Andy Klesh. 

O novo investigador da Nasa ainda pode ser desligado, sendo ligado novamente apenas quando precisar realizar alguma medida. Isso faz com que ele possa passar meses observando o ambiente da água sob o gelo. 

Durante os testes de campo na Antártida, ele ficará ligado à superfície enquanto os engenheiros do projeto testam os conjuntos do instrumento, incluindo as duas câmeras ao vivo de alta definição. 


Futuras missões 

É claro que não temos ideia do que há, realmente, em outros planetas. O veículo será capaz de detectar formas de vida similares às da Terra, então micróbios muito diferentes podem ser mais difíceis de reconhecer.

O robô já foi testado anteriormente no Alasca e no Ártico, mas é a primeira vez que vai para a Antártida. A Nasa já está construindo o Europa Clipper, orbitador previsto para ser lançado em 2025 para estudar Europa, uma das luas de Júpiter. Essa missão preparará o terreno para outra futura que pode procurar por vida abaixo do gelo. 

Fonte: UOL / NASA

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Poeira de explosão estelar é encontrada na neve da Antártica.

Um grupo de pesquisadores alemães e austríacos encontrou poeira no gelo da Antártica que, segundo eles, veio de uma explosão estelar. Esse tipo de explosão, chamado "supernova", ocorre no momento da morte de uma estrela.
Animação da Nasa ilustrando uma explosão supernova

O astrofísico nuclear Dominik Koll afirmou à rede de TV americana CNN nesta terça-feira (20) que os detritos viajaram "bilhões de bilhões de quilômetros pelo espaço e têm milhões de anos". A descoberta foi divulgada em um artigo na revista "Physical Review Letters", em 12 de agosto.


O que é uma supernova

Segundo a definição da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), uma supernova ocorre quando uma estrela massiva perde combustível para continuar queimando. Ela esfria, e isso faz com que sua pressão interna caia. Também diminui a gravidade e a estrela entra em colapso.

Portanto, o que esse grupo de cientistas europeus encontrou foram resíduos de uma explosão desse tipo. Esses materiais ficam viajando pelo espaço até encontrar outro corpo contra o qual colidir -- neste caso, a Terra.


Poeira extraterrestre

"A Terra é constantemente bombardeada com poeira extraterrestre, contendo informação de valor imenso sobre os processos extraterrestres", diz o estudo.

Eles acreditam que essa poeira tenha caído sobre a Terra em algum momento nos últimos 20 milhões de anos. Conforme Koll explicou à CNN, a Antártica foi escolhida para a pesquisa justamente por ser uma região praticamente intocada do planeta, onde seria possível encontrar elementos ainda não estudados pela ciência.

Fonte: Globo.com

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um pedaço de Marte na Antártida

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Em 1996, um time de astrônomos liderados por David McKay, do Centro Espacial Johnson da Nasa, publicou um artigo na afamada revista “Science” anunciando a descoberta de uma evidência de atividade biológica fossilizada no meteorito ALH84001. Esse meteorito foi encontrado na Antártida e é na verdade um pedaço arrancado de Marte. Alguns impactos em Marte devem ter sido tão violentos que ejetaram pedaços de rochas da superfície e os colocaram no espaço. Alguns dos pedaços de rocha foram atraídos pela Terra e caíram por aqui. O processo inverso também deve ter ocorrido, mas como a gravidade de Marte é muito menor que a da Terra, deve haver mais destroços de Marte aqui, do que o inverso.

O meteorito ALH84001, em especial, mostrou ao ser analisado traços de nanocristais de magnetita em pequenos glóbulos de material carbonáceo que poderiam ter origem biológica. A hipótese de MacKay e seus colegas é baseada em processos similares que ocorrem na Terra, onde algumas bactérias encontradas na água e mesmo no solo secretam esses nanocristais. A ideia é que a magnetita encontrada no meteorito tem origem biológica por causa de sua semelhança.  Seria a primeira evidência sólida de que teria havido vida em Marte. Seria.
O grande problema da descoberta foi a maneira com que ela foi divulgada. Todo artigo científico precisa passar por uma revisão de outros cientistas que atuam na mesma área. Chama-se revisão por pares (ou peer review). No caso de análises como essa, de meteoritos, uma amostra é mandada para outros grupos fazerem uma checagem semelhante para confirmar (ou não) as afirmações do artigo. Acontece que neste caso tudo foi atropelado. Por causa da importância e o impacto da possível descoberta, o anúncio foi feito antes da revisão por pares e da análise das amostras. O anúncio chegou a ser feito pelo presidente dos Estados Unidos, numa estratégia de marketing para pressionar o Congresso Americano a dar mais verba para enviar sondas à Marte.
Por causa do atropelo, muita gente torceu o nariz. A coisa ficou pior quando outros grupos mostraram que era possível, sob determinadas condições, obter os tais nanocristais de magnetita, tais quais os encontrados no meteorito. A magnetita presente em ALH84001 foi recriada em laboratório em um processo chamado de decomposição térmica de carbonáceos.
Agora, passados 13 anos, o mesmo grupo de astrônomos publicou outro estudo sobre o tema. Dessa vez, usando equipamentos de análise modernos (que não existiam naquela época) e passando por todos os rigores da revisão por pares, eles mostram que a hipótese biológica é a mais provável. Partindo da ideia da origem inorgânica, eles rebatem a noção de que a decomposição térmica de carbonatos pode dar origem aos cristais do meteorito. A conclusão é que a hipótese de origem orgânica é a mais plausível.
A conclusão é que a hipótese de origem orgânica é plausível, mas isso não significa que seja a única. Por enquanto, é a que melhor explica a origem da magnetita. Assim sendo, a teoria de que já tenha havido vida em Marte ganha força. E com ela uma esteira de possibilidades interessantes: se um pedaço de Marte chegou à Antártida com evidências fossilizadas de vida, não poderia um outro pedaço ter trazido um pouco dessa vida à Terra?


Fonte: Globo.com